Rede de aeroportos: o que o grupo ganha quando todos usam o mesmo sistema
Shankar Cabus
6 minutos de leitura

Uma concessão de aeroporto no Brasil raramente é um aeroporto só. Para quem responde por um grupo, isso muda a pergunta sobre tecnologia. Já não basta saber do que cada aeroporto precisa: é preciso saber o que a rede ganha quando todos usam o mesmo sistema, e o que não pode se perder no caminho.
A concessão virou rede
Até a 4ª rodada, em 2017, cada concessão federal era um aeroporto. Desde a 5ª rodada, em 2019, o governo passou a conceder blocos. Pela lista de aeroportos concedidos da ANAC, foram 12 aeroportos em três blocos na 5ª rodada, 22 na 6ª, em 2021, e 15 na 7ª, em 2022.
O movimento continua. Em novembro de 2025, a primeira rodada do programa AmpliAR somou 12 aeroportos regionais a uma concessão que já existia, segundo a ANAC. E o Aeroporto de Brasília vai a leilão em 17 de dezembro de 2026: quem vencer assume também outros 10 aeroportos regionais, como anunciou o Ministério de Portos e Aeroportos.
O resultado é um mapa em que boa parte dos aeroportos concedidos está em blocos, sob a gestão de um mesmo grupo, com perfis muito diferentes dentro de cada bloco: a capital e o regional, o aeroporto de turismo e o de negócios.
E a rede também cresce depois da concessão. Quando um grupo assume aeroportos novos, num leilão ou numa compra, a primeira decisão de tecnologia costuma vir nos primeiros meses. A pergunta que pesa nessa hora não é qual sistema cada aeroporto vai usar, mas como ele entra no jeito de trabalhar que a rede já tem.
Onde a rede paga a mesma conta várias vezes
Quando cada aeroporto da rede resolve o passageiro e a operação do seu jeito, o grupo paga a mesma conta várias vezes. Não numa linha do orçamento, mas no tempo da equipe e na experiência do passageiro:
- O mesmo problema, resolvido em cada aeroporto. Cada um com o seu site, o seu atendimento, a sua pesquisa de satisfação e o seu controle de chamados, escolhidos e mantidos em separado.
- A mesma integração, refeita. O sistema de voos, o pagamento e a emissão fiscal são ligados de novo a cada fornecedor e a cada aeroporto.
- O aprendizado que não viaja. O que funcionou num aeroporto não chega ao vizinho, porque cada um está num sistema diferente.
- Números que não se comparam. Cada aeroporto mede do seu jeito, e a diretoria recebe relatórios que não conversam entre si.
O efeito aparece também para quem viaja. O passageiro que passa por dois aeroportos do mesmo grupo encontra dois jeitos de pedir ajuda e duas qualidades de resposta.
Uma régua para aeroportos diferentes
Padronizar não é igualar. O relatório The Evolution of Airports, da Oliver Wyman com a ACI World (2023), separa os aeroportos pelo propósito: o City Airport, o Global Hub Connector, o Leisure Gateway e o aeroporto de carga. Uma rede brasileira costuma ter mais de um desses tipos no mesmo bloco.
Na prática, o aeroporto da capital, sem espaço para crescer por obra, não tem a mesma dor do aeroporto de turismo que lota no verão. O primeiro precisa de eficiência; o segundo, de atendimento e de receita no pico.
Por isso a rede precisa de duas coisas ao mesmo tempo: uma régua comum, com os mesmos indicadores medidos do mesmo jeito em todos os aeroportos, e espaço para cada aeroporto usar o que faz sentido para ele. A régua inclui o que o contrato de concessão já mede, a satisfação do passageiro, o que ele pergunta e não encontra e os chamados da operação.
Na reunião da diretoria, a diferença é concreta. A pergunta "como está a satisfação do passageiro neste mês?" deixa de ter uma planilha por aeroporto, cada uma com o seu critério, e passa a ter uma resposta por aeroporto, medida do mesmo jeito, ao lado da meta de cada um. O aeroporto que vai bem vira referência para os outros, e o que vai mal aparece antes do fechamento do ano.
No Airport+, o Desempenho reúne os indicadores do aeroporto num painel; o IQS e Fator Q calcula os indicadores com as regras de cada concessão; e o Mercado compara o aeroporto com os outros a partir da série pública da ANAC. Em Metas e objetivos, os objetivos do ano viram metas por área, e cada área vê as suas.
O mesmo sistema, a marca e os dados de cada aeroporto
O receio de quem já tentou padronizar é conhecido: perder a identidade de cada aeroporto, misturar os dados e acabar com um sistema que ninguém usa. Quatro pontos separam uma coisa da outra, e a base do Airport+ responde a cada um:
- A marca. O Airport+ é white-label: o passageiro vê a marca, as cores e os idiomas de cada aeroporto.
- Os dados. Cada concessionária tem o seu banco de dados, e dentro dele os dados de cada aeroporto ficam separados: o sistema só devolve o que pertence ao aeroporto de quem pede.
- As pessoas. Cada pessoa vê o que o perfil e a área dela permitem. A equipe de um aeroporto vê o seu aeroporto, e quem responde pela rede acompanha os aeroportos do grupo.
- As integrações. Cada integração com os sistemas do aeroporto, como o AODB e o FIDS, fica disponível para os próximos aeroportos.
Hoje o Airport+ atende passageiros e equipes em operações diferentes com a mesma base: a Ana, assistente virtual do Salvador Bahia Airport desde 2023, e o sistema da Amaní Lounge, a sala VIP do mesmo aeroporto, desde 2026. A Strelo opera em aeroportos brasileiros desde 2021.
Perguntas para a diretoria antes de padronizar
Antes de escolher um sistema para a rede, vale levar estas perguntas para a mesa:
- Os dados de cada aeroporto ficam separados, e quem pode ver o quê está definido por perfil e por área?
- Cada aeroporto mantém a marca, as cores e os idiomas dele diante do passageiro?
- Uma integração feita num aeroporto serve aos outros, ou cada um começa do zero?
- A diretoria compara os aeroportos com a mesma régua, inclusive os indicadores de cada contrato de concessão?
- O que funcionou num aeroporto chega aos outros sem um projeto novo?
- Cada aeroporto pode usar só o que faz sentido para ele, sem quebrar a régua comum?
Se a resposta a alguma delas for "depende do aeroporto", a rede ainda está pagando a mesma conta mais de uma vez. E, para quem vai assumir aeroportos novos, vale fazer as mesmas perguntas antes da primeira decisão de tecnologia, enquanto ainda é simples trazer cada aeroporto para a régua da rede.
Para ver como isso funciona na sua rede
Veja o Airport+ 2.0 em 2 minutos, a área de Gestão e os 30 módulos. Para conversar sobre a sua rede, solicite uma demonstração ou tire uma dúvida com a Íris, a assistente do site.
Fontes
- ANAC, Aeroportos concedidos (blocos e rodadas).
- ANAC, AmpliAR: primeiro leilão de aeroportos regionais do país arrecada R$ 731 milhões em investimentos.
- Ministério de Portos e Aeroportos, Aeroporto de Brasília passará por novo leilão e concessionária terá que assumir outros 10 aeroportos regionais.
- Agência iNFRA, ANAC marca leilão do Aeroporto de Brasília para 17 de dezembro.
- Oliver Wyman Forum, ACI World e Sustainable Tourism Global Center, The Evolution of Airports: A Flight Path to 2050 (2023).
- Strelo, Segurança, dados e integrações do Airport+.


