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Dados da ANAC sobre aeroportos: onde estão e como comparar o seu aeroporto com o setor

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Shankar Cabus

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Dados da ANAC sobre aeroportos: onde estão e como comparar o seu aeroporto com o setor

A pergunta chega na reunião da diretoria: o aeroporto está crescendo mais ou menos que os outros? A resposta está em dados públicos. Os dados da ANAC sobre aeroportos, somados aos do Ministério de Portos e Aeroportos, cobrem o movimento de passageiros, a pontualidade dos voos, a qualidade de serviço e a satisfação do passageiro.

O difícil não é achar o dado. É comparar sem erro: escolher a base, o grupo e o período certos. Uma comparação mal feita produz uma meta errada, e uma meta errada custa o ciclo inteiro.

Onde estão os dados da ANAC sobre aeroportos

Movimentação de passageiros por aeroporto

Há duas bases, e elas não medem exatamente a mesma coisa:

  • Dados Estatísticos do Transporte Aéreo. Informados todo mês pelas empresas aéreas, por etapa de voo e por empresa: passageiros, carga, correio e distância voada, entre outros. A ANAC publica os arquivos por ano, desde 2000, e o arquivo completo é atualizado por volta do dia 20 de cada mês. Para consultar sem baixar nada, o painel de Demanda e Oferta tem dados desde 2000.
  • Dados de Movimentação Aeroportuária. Informados pelos administradores dos aeroportos sob concessão federal e dos aeroportos de movimento relevante da Infraero: passageiros, aeronaves, carga e correio, com voos regulares, fretamentos, táxi aéreo e aviação geral. A publicação é mensal, com seis meses de atraso, para não expor os planos comerciais da temporada.

Pontualidade dos voos

Qualidade de serviço e satisfação

  • Painel de Indicadores de Qualidade de Serviço. O painel da ANAC traz os IQS de cada aeroporto concedido e o Fator Q aplicado nos reajustes. A própria ANAC avisa que os contratos podem trazer indicadores diferentes conforme a rodada e que há um intervalo entre a coleta e a divulgação. Cada concessionária também publica no próprio site o resumo mensal dos seus IQS, como manda a Resolução ANAC nº 372/2015.
  • Pesquisa de Satisfação do Passageiro. Feita pela Secretaria Nacional de Aviação Civil, do Ministério de Portos e Aeroportos, e publicada a cada trimestre nos dados abertos. As entrevistas são presenciais, nas salas de embarque e desembarque dos principais aeroportos do país. Há uma série à parte para os 41 principais aeroportos regionais, em quatro grupos por região.

Benchmarking de aeroportos: com quem comparar

Benchmarking é comparar o seu número com o de quem enfrenta condições parecidas. Três escolhas fazem a comparação valer:

  1. O grupo. Aeroportos de porte e perfil parecidos. O contrato do bloco SP-MS-PA-MG, da 7ª rodada, separa as regras de qualidade por faixa de movimento anual: abaixo de 1 milhão de passageiros, de 1 a 5 milhões e a partir de 5 milhões. Dentro da faixa, vale olhar o perfil: mais doméstico ou mais internacional, conexão ou destino final, turismo ou negócios.
  2. A régua. A mediana do grupo, não o primeiro colocado. O primeiro mostra um teto, que pode ter uma explicação que não vale para o seu aeroporto, como ser base de uma companhia aérea. A mediana mostra se o aeroporto está acima ou abaixo do típico do grupo, e por quanto.
  3. A pergunta. Volume e crescimento contam histórias diferentes. Um aeroporto pode estar abaixo da mediana em passageiros e acima dela em crescimento. Para a meta, a distância até a mediana, em percentual e em passageiros, diz mais que a posição na lista.

As armadilhas de quem compara aeroportos

  • Misturar metodologias. As duas bases de movimento vêm de fontes diferentes (as empresas aéreas e os aeroportos) e não cobrem os mesmos tipos de voo: a dos aeroportos inclui a aviação geral, por exemplo. Por isso, o total do mesmo aeroporto pode não bater entre elas. Escolha uma base e use a mesma na série inteira. A ANAC avisa que relatórios montados a partir dos arquivos brutos podem dar resultados significativamente diferentes dos dados oficiais, conforme os filtros. Na satisfação, o cuidado é o mesmo: a nota dos IQS vem da pesquisa contratada por cada concessionária, com os indicadores do seu contrato, e a pesquisa do Ministério tem método próprio.
  • Tratar o ano corrente como fechado. O arquivo do ano em curso só tem os meses já informados. Somar esses meses e comparar com o ano anterior inteiro desenha uma queda que não aconteceu. Compare o acumulado do ano com o mesmo período do ano anterior, ou os últimos 12 meses com os 12 anteriores.
  • Comparar grupos que mudaram. Se um aeroporto entra na base num ano em que não estava no anterior, o total do grupo sobe sem ninguém ter crescido. Na comparação entre períodos, use só os aeroportos que têm dado nos dois.
  • Pôr na conta do aeroporto o atraso de outro. Para medir o aeroporto, olhe as partidas: o atraso na chegada pode ter nascido no aeroporto de origem. Confira também o corte de minutos antes de comparar com um número de fora, porque os percentuais da ANAC usam 30 e 60 minutos. E, num mês com poucos voos, um percentual alto ou baixo pode ser acaso.
  • Ler diferença pequena como diferença. Nos IQS, a satisfação é uma média numa escala de 1 a 5, e as pesquisas trabalham com margem de erro: a do Ministério declara confiança de 95% e erro amostral máximo de 5%. Uma diferença de centésimos entre dois aeroportos pode não ser diferença nenhuma. E nota não se soma: para um grupo, use a média ou a mediana das notas.

Do ranking de aeroportos à meta

Um ranking de aeroportos é um placar: diz quem está na frente, não por quê. Ele serve quando é feito dentro do grupo certo, com a mesma base e o mesmo período, e quando publica os critérios. A pesquisa da Strelo sobre os aeroportos mais digitais do Brasil, por exemplo, mostra as soluções digitais que encontrou em cada aeroporto avaliado.

Para a gestão, o passo seguinte é transformar a posição em pergunta: quanto falta para a mediana do grupo, e o que explica a diferença? Essa distância vira uma meta com número e prazo, e a comparação se repete a cada período novo de dados. Quem responde por vários aeroportos pode usar a mesma régua para comparar a rede por dentro, como discutimos em rede de aeroportos: o que o grupo ganha quando todos usam o mesmo sistema.

Mercado, Desempenho e Metas no Airport+

No Airport+ OPS, o painel da equipe do aeroporto, o Mercado organiza a série histórica pública da ANAC para comparar. O diretório traz os aeroportos sob concessão federal, com a movimentação de cada um. A comparação põe o seu aeroporto contra os outros, no mesmo indicador e no mesmo período, e os rankings ordenam os aeroportos por movimento e por crescimento. O módulo também reúne notícias, pesquisas e playbooks do setor, curados pela Strelo e recortados pelos temas de interesse de cada pessoa.

O Desempenho mostra o lado de dentro: passageiros, pontualidade, satisfação e Fator Q do próprio aeroporto, contra a semana e o mês anteriores. Com a comparação em mãos, a diretoria define as metas por área em Metas e objetivos, com dono, prazo e andamento medido pelos dados da operação.

Para ver o seu aeroporto ao lado dos outros, com a série da ANAC organizada para comparar, solicite uma demonstração.

Perguntas frequentes

Onde encontrar a movimentação de passageiros por aeroporto?

Na ANAC, em duas bases: os Dados Estatísticos do Transporte Aéreo, informados pelas empresas aéreas, com arquivos desde 2000, e os Dados de Movimentação Aeroportuária, informados pelos próprios aeroportos. Para consultar sem baixar arquivo, o painel de Demanda e Oferta da ANAC traz a série desde 2000. Numa mesma comparação, use uma base só.

Como saber a pontualidade dos voos de um aeroporto?

A ANAC publica o Painel de Pontualidade e Regularidade, com dados mensais desde janeiro de 2016, e os percentuais mensais de atrasos acima de 30 e de 60 minutos, voo a voo. Para cálculos próprios, a base do Voo Regular Ativo (VRA) traz os horários e os cancelamentos de cada voo. Para medir o aeroporto, olhe as partidas.

Com que frequência os dados da ANAC são atualizados?

Depende da base. Os Dados Estatísticos são mensais, com o arquivo completo atualizado por volta do dia 20, e a Movimentação Aeroportuária é mensal, com seis meses de atraso. A pontualidade também sai todo mês, e a pesquisa de satisfação do Ministério de Portos e Aeroportos é trimestral.

Fontes

Tags:AeroportosGestãoANACDados AbertosBenchmarkingAirport+

Shankar Cabus

CEO


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